Reality check para profissionais de tecnologia

Olá!

No texto de hoje, eu gostaria de abordar alguns comportamentos que eu considero danosos para a carreira dos profissionais de tecnologia. Além disso, gostaria de propor uma reflexão sobre algumas causas para esses mesmos comportamentos.

Quando você é Junior, muitas vezes acabando endeusando o Sênior, achando que ele é intocável. O Sênior não sabe de um monte de coisa também. Existe muito Sênior que pesquisa coisa no Google o tempo todo. E está tudo bem. A Senioridade de um profissional de tecnologia não está no quanto ele decora comandos e sim, na experiência acumulada e nos problemas diversos que ele já teve que resolver em algum momento. Por isso que ter experiência em vários negócios diferentes é importante.

Tudo bem ficar 20 anos trabalhando em banco. Porém, cuidado para não ter uma experiência que pareça que você repetiu o mesmo ano 20 vezes. É muito óbvio para um entrevistador essa limitação, por exemplo. Em outros termos: Existe valor em variar um pouco.

Você confiaria em um mecânico que leva o carro para outro mecânico arrumar? Logo, você confiaria em uma pessoa desenvolvedora sênior que não sabe o básico da sua tecnologia de escolha principal?

Portanto, especialize-se primeiro, abra seus horizontes depois.

Não adianta pular de galho em galho trocando de linguagens a cada 6 meses e depois não passar nas entrevistas para Sênior, porque faltou profundidade.

Dizem por aí que com cursos de 6 meses você tá pronto pro mercado. Você confiaria em um médico, engenheiro ou advogado que estudou somente 6 meses? Porque com tecnologia é diferente?

É possível se realocar rápido? Sim.
É possível conseguir uma vaga com esses cursos? Sim.

Porém, tenha em mente que a primeira vaga na área é a pior. É a mais difícil e hostil, porque poucas empresas querem treinar alguém do zero. A minha dica aqui é: Persista, vai dar certo.

Se você não está sendo chamado para entrevistas, o problema está no seu currículo. Se você não passa das entrevistas, ai o problema é sua postura. É importante identificar a causa raiz para saber onde atacar.

Software é uma ferramenta usada por pessoas. Quando os usuários do software reclamam que uma determinada funcionalidade não está funcionando, o profissional tóxico zomba deles. Fazendo isso, essa pessoa se esquece que se algo não funciona é culpa de quem fez o sistema, não de quem usa.

A responsabilidade do software funcionar de acordo com o público-alvo é do time. Se o seu usuário não está usando o seu software do jeito que você pensou, é porque faltou empatia na hora de entender o usuário.

Não importa o que você disse, o que importa é o que a outra pessoa entendeu sobre o que você disse. Isso se aplica a software também.

O profissional sênior diz que é muito requisitado e recusa as vagas dos recruiters de forma rude. As vezes, junto disso tem um título pomposo no Linkedin, mas não sabe o básico de vários assuntos quando entrevistado. Quando perguntado em uma entrevista sobre o que é o básico da profissão, se ofende.

Esse caso é um efeito prático da arrogância exposta pelo efeito Dunning Kruger. Nunca falha.

Só tenho algo a dizer para você que faz isso: Primeiro, você provavelmente não é tão bom quanto acha que é (ninguém é). Segundo, ninguém é tão bom que o exima da responsabilidade de ser gentil com outras pessoas. Terceiro, a única coisa que você ganha sendo arrogante são pessoas dispostas a fazer você baixar a bola de alguma maneira. Pense nisso na próxima vaga que você não conseguir.

Existem contradições específicas por função também. Vamos a algumas delas:

  • Diz que é SRE Sênior. Engasga quando perguntado sobre DNS.
  • Diz que é Manager e um grande líder. Porém, quando ouve que Soft Skills são necessárias, acha que não precisa disso. Quando confrontando com os problemas que causa no time, considera que é sempre culpa dos outros (ou frescura do time).
  • Diz que manja de agilidade, mas quando perguntado(a) o que é um gráfico e quais métricas são úteis no mundo real, cita o Scrum Guide.
  • Diz que é Quality Assurance Sênior e manja de várias ferramentas, mas, quando demandado(a) o básico de automação, foge e volta a fazer teste manual.
  • Diz que manja de várias linguagens, mas não sabe nenhuma em profundidade (na verdade, parou no CRUD e acha que é o suficiente).

Em todos esses casos, essa postura está impedindo o profissional de crescer. O ponto é que crescer nunca é confortável. Portanto, baixe a bola e aprenda o básico da sua profissão como deveria.

E a minha favorita: Perguntar qual a diferença entre um Array e uma Lista Ligada para uma pessoa desenvolvedora Back-End. Se você tem alguns anos de profissão e não sabe nada de Estrutura de Dados e Big O Notation, você é um amador remunerado, não um profissional. Se isso te incomodou, enxergue esse texto como uma espécie de chamado a ação, deixe o ego de lado e leia isso aqui.

Minha crítica aqui não é ao não saber. Minha critica é a arrogância que surge, mesmo sem a pessoa não ter nem ideia do que não se sabe. Portanto, antes de zombar ou ser arrogante, estude mais. A arrogância nunca se paga.

Ao menos, tentemos ser melhores.

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Escritor-Desenvolvedor

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