A importância da magnanimidade em posições de liderança

Olá!

No texto de hoje eu gostaria de abordar algumas reflexões sobre o ato de gerir pessoas e processar intelectualmente alguns aprendizados que tive ao longo dos anos.

Uma das certezas que mais reforço em minha mente quanto mais tempo eu passo na posição de gestor de pessoas é a seguinte: se você quiser liderar de uma forma saudável, você tem que exercitar a magnanimidade.

A cadeira de pessoa gestora já traz inúmeros desafios e expectativas, além de te colocar em situações desconfortáveis com uma certa frequência. Portanto, a única forma de você reduzir a chance de cometer erros — e, talvez, inspirar a sua equipe — é evitar a pequenez (seja de caráter ou espirito). E isso é algo que você tem que lutar contra o tempo todo, dado que é muito fácil cair nessa armadilha.

Aqui cabe contar uma história. Certa vez obtive conhecimento de uma pessoa que ganhava o meu salário só de vale refeição, fora o salário multimilionário (literalmente). Eu não sei você, mas eu espero que pessoas tão bem sucedidas assim sejam admiráveis.

Porém, ela chegava ao ponto de impedir que as pessoas sequer falassem ou chegassem perto do presidente da empresa. Além de ser tão peculiar (me recuso a usar o termo correto aqui) a ponto de puxar a cadeira para o presidente sentar e tecer elogios beirando o ridículo, o tempo todo. Obviamente a pessoa queria o cargo daquele que bajulava. Felizmente nesse caso, algum tipo de justiça divina ocorreu e ela não conseguiu atingir seus objetivos. Em duas transições de presidente, ela até estava na linha sucessória, mas não conseguiu, porque perceberam quem ela era.

Eu tenho uma teoria relacionada a isso que gostaria de expor: qualquer agrupamento de humanos é reflexo dos pontos fortes e fracos de seus líderes. Se um lugar é tóxico, olhe sempre para cima na hierarquia, as pessoas estão apenas reagindo aos sinais que vem de cima. O mesmo vale para um lugar incrível.

Imagine o clima da empresa e o tipo de situações tóxicas que seriam criadas e toleradas caso uma pessoa pequena assim virasse presidente? As vezes, o conselho de administração das empresas sabe o que faz.

Puxar o tapete dos outros é coisa de gente pequena. Fofoca? Também. Não se importar com as pessoas? Idem. Não lhe parece estranho alguém querer ser gestor de pessoas sem gostar genuinamente de pessoas?

Para se importar com as pessoas, você tem que se importar genuinamente. Senão você se torna somente um gestor decorativo.

Se você age com medo de alguém puxar seu tapete, provavelmente é porque você faria isso na mesma situação. Não pense que as pessoas não percebem seus medos, caráter e limitações. Se você consegue ler relativamente bem seu gestor direto, porque você acha que conseguiria esconder suas intenções dos seus liderados? Eles sabem quem você é. Sempre. Aliás, não só eles, provavelmente as pessoas que você tá tentando prejudicar também. Seja uma pessoa verdadeira, dá menos trabalho.

Existe um grande número frases advindas da sabedoria do senso comum relacionadas a liderança que se você parar para pensar, veio de mentes doentes e/ou traumatizadas. Vamos a algumas que você provavelmente já ouviu:

É solitário no topo: Se você chegou lá sozinho, o problema está em você. Não se paga sacrificar família ou amigos para chegar lá. Do que adianta estar no topo do mundo sem ninguém que você confia para compartilhar as conquistas ou te apoiar? Dinheiro pode comprar acesso a terapia, mas não compra a felicidade genuína que alguém pode sentir por você ter tido algum tipo de sucesso. Certa vez, me deparei com um amigo do meu pai que obteve sucesso e bens, mas, tinha trabalhado tanto que os filhos não criaram nenhum vínculo com ele, a ponto de não irem visitá-lo no Natal. Ele era CEO de uma multinacional? Não, era dono de padaria mesmo. Ou seja, pode acontecer com qualquer pessoa relativamente bem sucedida, não somente executivos.

Os fins justificam os meios: Do que adianta moer carne humana nas engrenagens corporativas para chegar lá? Do que adianta puxar o tapete de todos que puder para acelerar sua chegada em alguma posição de poder e ser demitido de forma vexatória porque não tem competência para o cargo? Existe uma carga de experiência necessária para que você consiga desenvolver resiliência de uma forma que lidar com uma carga maior de responsabilidade não faça você… quebrar. Aqui, fica outra dica: Não pule etapas. Para a conquista ser merecida, é necessário trabalho de uma forma que respeite as pessoas. Se até utilizar um objeto de forma errada pode te machucar, imagine o impacto negativo da Ira de algumas pessoas que você usou?

Se para mim não foi fácil, para você não será também: Pequenez, de novo. O quão mesquinho uma pessoa precisa ser para deliberadamente tratar mal um liderado porque teve um chefe ruim no passado e acha que só assim que as pessoas vão dar valor (seja lá o que isso quer dizer!). Se você sofreu antes, seja magnânimo e quebre o ciclo de abusos. Se você sofreu abusos, não desconte em outras pessoas, elas não tem culpa do que aconteceu com você. Na verdade, ninguém tem, nem você. Nesse ponto vale mencionar aquele típico comportamento (a psicologia explica): se você acha que criança merece apanhar porque você apanhou dos seus pais e tá ai inteiro, provavelmente você normalizou e internalizou a violência de uma forma meio errada. Dado que você acha esses abusos de alguma forma justificável, você meio que não entendeu a moral da história.

Líderes são agentes de mudança. Portanto, seja melhor do que os erros daqueles que vieram antes de você.

Há também uma armadilha que se cai facilmente ao liderar times: achar que você é o seu cargo atual. Aqui vale redobrar o cuidado: achar que sua identidade é o seu cargo é um risco tremendo. O que aconteceria se você perdesse o seu estimado cargo hoje? Eu já vi casos de executivos que se suicidaram em situações desse tipo.

Aqui vale reforçar a máxima: o seu trabalho atual não é sua carreira, ele apenas está participando dela. Eu colocaria da seguinte forma: carreira não é o seu trabalho, é a quantidade de pessoas que você conseguiu impactar de forma genuinamente positiva. Portanto, quanto mais impacto positivo — para mim, que fique claro — melhor. O melhor tipo de ambição é aquela que leva mais gente para cima junto. Há espaço para todos. Seja um abridor de portas, não um queimador de pontes.

As pessoas estão no seu time por uma série de fatores, porém, na maioria deles, são por motivos além do seu controle. Você não tem o direito de prejudicar a carreira de nenhum deles. Porém, ao mesmo tempo, você tem a obrigação — como líder — de ao menos tentar ajudá-los a corrigir comportamentos danosos para a carreira deles. Ao fazer isso, embase seus feedbacks com exemplos, senão você só é uma pessoa falando besteira e atrapalhando ao invés de ajudar, igual aquele seu chefe ruim do passado. Não se torne igual aquele que condenas.

Por fim, acho que vale citar um ser, que, apesar de pequeno em estatura, soube ser magnânimo para com os seus:

Eu adoro essa frase!

Na maioria das vezes, eu não acho que as pessoas estão sendo deliberadamente maldosas ou algo parecido, mas, que na ânsia de conseguirem algo, cedem ao lado sombrio, por enxergarem nele uma forma mais rápida e fácil de atingirem seus objetivos. Seja por ansiedade, pequenez ou fragilidade, as pessoas cedem e tomam decisões ruins. Nesse caso, respire fundo. Já dá muito trabalho se manter no caminho correto, imagine gastar energia lamentando decisões alheias? Acho que não é saudável.

Para finalizar, gostaria de deixar a reflexão que eu acho mais relevante:

Em última instância, acho que essa frase resume tudo. No fim, o que importa é de qual posição suas ações partem. Se vierem de uma necessidade de subjugar, provavelmente terão efeitos danosos. De uma posição de generosidade, por sua vez, acho que dá para… errar menos.

Boa sorte no seu caminho =)

Até!

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Escritor-Desenvolvedor

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